sexta-feira, 18 de julho de 2008

Fardo

Tem dias que você acorda péssima. E hoje é um deles. Acho que isso tudo é fruto do maldito gostar não-correspondido. Eu estou um caco. Querendo passar o dia comendo chocolate, ficando feia, fedorenta. E fiz isso. Faz 27 horas que não tomo banho. Estou sentindo aquele cheirinho começando a subir, mas não sinto vontade de mudar. Estou vegetando. Palavras rudes rodeiam minha mente. É forte, é fardo. Eu quero sentir o prazer de uma palavra forte, que me cale, que me deixe idiota. Eu cansei de sempre dar a palavra final, de ser a dominadora. O mundo está muito louco e eu vou enlouquecendo junto. Sinto-me decadente, mas sinto-me forte para enfrentar essa decadência.
É, Tiago não me quer. Quer saber? Foda-se o Tiago. Quero mesmo é tirar meu atraso, que isso já está me fazendo mal. Caralho, só penso em sexo. Mas nem é tanto assim, gosto de fumar, andar, escrever, aahh, tanta coisa. Fui andar, então. Mas lógico, tomei banho antes, vai que rola uma fodazinha por aí. hahaha. Peguei um ônibus e saí sem rumo, ía só olhando pela janela e vendo as pessoas que passavam. Pensei em Tiago, aquele viado. Nem pra me comer e depois jogar fora, nem isso ele quis. Todas choram porque foram comidas e depois dispensadas, e eu? Nem comida fui. Que trágico! Não me sai da cabeça a foda no cinema, caralho, seria um puta tesão. Nem sei como seria, aquele braço da poltrona atrapalhando. Olho pela janela e vejo um típico pobre: cara de pobre, jeito de pobre, roupas de pobre, sem camisa. Mas que tinha um corpo tão gostosinho. Minha mente não perde tempo: já pensou eu levando ele pra um motel? Eu mesma pagando? Ai, não quero pensar. Ele era horrível de rosto, mas eu nem ligaria pra isso. Nem queria beijá-lo. Entrar no motel, queria muito ver a cara de panaca dele, com aquele mulherão que ele nunca esperava ter na vida, prestes a dar pra ele, assim, de graça, por nada e ainda pagando o motel. Ia ser um tesão do caralho! Mas enfim, ele passou. Comecei a passar a mão pela calcinha, apertando. Luiza, para com isso. Estou ficando compulsiva.
Volto pra casa, mais uma vez, sem nada de concreto. E não paro de pensar em Tiago, não consigo. Queria voltar pra casa e, ao menos, escrever o que eu sentia, o que me passava na cabeça. Escrever é meu refúgio. É onde eu esqueço.

Um comentário:

Emerson disse...

Só deixando meu parecer por aqui. Curti teu texto. Gosto da forma direta que você escreve.

Um abraço.

"Tiago, aquele viado. Nem pra me comer e depois jogar fora, ..."

hehehehe